Fim da guerra da Polícia Civil

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A greve da Polícia Civil, que completou oito dias nesta segunda-feira (10), foi suspensa hoje, após mais uma assembleia da categoria. Os policiais civis resolveram aceitar a ‘proposta’ do Governo Flávio Dino que sugeriu a suspensão do movimento até o dia 04 de setembro.

No entanto, o SINPOL – Sindicato dos Policiais Civis do Maranhão confirmou que a categoria irá permanecer em estado de pré-greve. Com a decisão de suspender o movimento grevista, o atendimento nas delegacias será normalizado já a partir de terça-feira (11).

Também nesta segunda-feira, o SINPOL divulgou uma Nota Informativa contestando algumas informações repassadas pelo Governo Flávio Dino sobre o movimento grevista.

Fonte: http://www.blogdojorgearagao.com.br

Nota do SINPOL

Em decorrência de vários dados incoerentes divulgados pelo governo do Estado, o SINPOL divulga nota informando à sociedade e a imprensa maranhense os motivos legais de deflagração de GREVE GERAL por tempo indeterminado desde o dia 03 de agosto, da polícia civil em todo o Estado do Maranhão.

São Luís/MA, 10 de agosto de 2015

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Acerca de notícia veiculada no site do Governo do Estado do Maranhão no dia 07 de agosto de 2015, a qual afirma que “Aumento de salário a Policiais Civis chega a R$ 1.500 no Maranhão em relação a 2014″, o Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Maranhão – SINPOL/MA vem a público esclarecer:

1. A publicação é uma reação do governo à decisão dos policiais civis que, reunidos em Assembleia Geral Extraordinária realizada na manhã do dia 24/07/2015, deflagrou Greve Geral por tempo indeterminado a partir do dia 3 de agosto de 2015, após a categoria ter aguardado por uma resposta satisfatória do governo estadual que não veio;

2. É relevante deixar claro que o SINPOL-MA respeitou todos os prazos solicitados durante o processo de negociação, que se estendeu por mais de sete meses, e que não houve avanços no sentido de garantir uma política de valorização salarial para os integrantes do subgrupo ocupacional Atividades de Polícia Civil nos próximos três anos, melhores condições de trabalho, a retirada dos presos das delegacias do interior, aumento do efetivo;

3. A decisão por greve tornou-se inevitável após ficar evidente que a recomposição salarial nos subsídios para os cargos de Escrivão de Polícia, Investigador de Polícia, Comissário de Polícia, Perito Criminalístico Auxiliar, Auxiliar de Perícia Médica, Rádio Operadores e Motoristas Policiais seria de apenas 5%, ao passo em que esta mesma recomposição para o cargo de Delegado de Polícia foi de 41%, o que aprofunda ainda mais a diferença do valor das remunerações daqueles cargos e a de Delegado para parâmetros jamais vistos, de modo que aqueles servidores passam a ganhar menos de um quarto do que se paga a um Delegado de Polícia;

4. Ressalta-se que a implantação da Gratificação de Nível Superior (GNT) aos policiais civis detentores de curso superior, ocorrida em outubro de 2014, é decorrente do cumprimento de decisão judicial e não uma iniciativa do Governo do Estado. Em maio de 2015 houve a extensão do pagamento da GNT aos policias que não possuíam curso superior. Entretanto, para os policiais civis que já recebiam a referida gratificação o aumento de remuneração foi apenas no percentual já informado de 5%;

5. Diferentemente do afirmado pelo Governo do Estado de que “mais de 3 mil servidores foram beneficiados com um grande aumento”, na ativa existem apenas 1.536 policiais civis, entre Escrivão de Polícia, Investigador de Polícia, Comissário de Polícia, Perito Criminalístico Auxiliar, Auxiliar de Perícia Médica, Rádio Operadores e Motoristas Policiais, ao passo que são 407 aposentados, totalizando, portanto, um efetivo beneficiado de apenas 1.943 policiais civis em todo o Estado do Maranhão;

6. Quanto ao alegado acréscimo de salário de R$ 1.024,99 em início de carreira, e R$1.577,57 para os policias em final de carreira, é necessário ressaltar que tais valores não contemplaram todos os policiais. Conforme a própria nota do Governo do Estado admite, nesses valores estão incluídos, além do próprio aumento de apenas 5% no subsídio, reajustes nas verbas de Retribuição por Exercício em Local de Difícil Provimento; Auxilio Alimentação; Adicional Noturno e Adicional de Insalubridade. Portanto, somente os policiais que recebem todas essas verbas foram contemplados com os valores de acréscimos anunciados pelo Governo. Ocorre que somente recebem a Retribuição por Exercício em Local de Difícil Provimento os policiais civis lotados no interior do Estado. Semelhantemente, 925 policiais civis não recebem o Adicional de Insalubridade. Assim, os acréscimos não chegam a R$ 650,00 para os policias que não estão lotados no interior do Estado e que também já recebiam a GNT;

7. Esclarecemos ainda que os reajustes nas verbas indenizatórias do Auxilio Alimentação, Adicional Noturno, Adicional de Insalubridade e Retribuição por Exercício em Local de Difícil Provimento estavam congeladas desde 2007;

8. Ressalte-se que o reajuste das verbas indenizatórias citadas no item anterior também contemplou os Delegados de Polícia, que além desses valores, contaram com reajuste da ordem de 41% em seus subsídios, enquanto que o reajuste dos subsídios dos policiais civis foi de apenas 5%, fato que demonstra, mais uma vez, desrespeito por parte dos governos estaduais para com os trabalhadores policiais civis;

9. O abono de permanência, que é devido apenas aos policiais que já possuem direito à aposentadoria a fim de incentivar o seu adiamento, é uma tentativa do Governo Estadual de evitar que delegacias fechem as portas e suspendam o atendimento à população em pequenas, médias e até grandes cidades, por falta de servidores que fazem este serviço a cargo da Polícia Civil. Preocupado com as consequências deste fenômeno iminente, o SINPOL tem alertado o governo para a sua ocorrência e necessário aumento do número de policiais, apontando para a necessidade de nomeação dos excedentes aprovados no último concurso com urgência para o provimento de tais cargos e minorar o elevado déficit de efetivo da instituição, que é uma reivindicação histórica da classe;

10. Nesses termos, não se sustenta o argumento de que a manifestação dos policiais civis não encontra motivos que a justifique. Os números mencionados pelo Governo do Maranhão são inverídicos e foram divulgados no afã de desqualificar a credibilidade do movimento pacífico convocado legalmente pelo SINPOL;

11. Diante deste quadro, e com as negociações frustradas, a categoria não vislumbrou outra atitude senão recorrer ao instrumento legal da decretação da greve como forma de levar à sociedade as preocupações que angustiam policiais civis por todo o Estado;

12. O SINPOL espera que o governo se sensibilize à causa dos policiais civis que ao longo de várias gestões tentam a implantação de reajustes que possam corrigir as distorções salariais da categoria.

A Diretoria do SINPOL-MA

Fonte: http://sinpolma.org.br

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